[Resenha]: "Adeus, China", de Li Cunxin





Em "Adeus, China"  Li Cunxin conta a sua emocionante e inspiradora história. Filho de camponeses, ele nasceu em 1961, em um vilarejo extremamente pobre do nordeste da China. Aos 11 anos de idade, em plena Revolução Cultural, deixou a família porque foi selecionado para participar da prestigiada Academia de Dança de Pequim, dirigida pela esposa do líder comunista Mao Tse Tung, Madame Mao. Estudou balé durante 7 anos. No início, ele nem sabia direito o que era dançar balé. Estava assustado e solitário e odiava a rigorosa rotina de treinamentos, mas entendia que ali teria trabalho e comida garantidos, ao mesmo tempo que servia ao chefe Mao, a quem idolatrava, e era motivo de orgulho para a família. Assim, se empenhou em aprender e com extraordinária força de vontade e autodisciplina se revelou um dos maiores bailarinos daquela Companhia.


Em 1979, aos 18 anos, ganhou uma bolsa de estudos para o curso anual de verão na Houston Ballet Academy, no Texas. Antes de viajar para a América, Li Cunxin recebeu orientação do governo para que resistisse às influências capitalistas e não abrisse mão do bom senso comunista. Imbuído da devoção a Mao, ele só pensava em fazer o melhor para transmitir a causa comunista e trazer glória ao seu país.

Cunxin era um maoísta leal, mas quando chegou aos EUA, percebeu que havia recebido muitas informações mentirosas sobre o capitalismo, o que abalou seriamente a sua fé no comunismo. Ao fim do curso voltou para a China, mas só pensava em retornar à terra da liberdade, o que acabou acontecendo meses depois, para uma temporada de um ano de estudos na Houston Ballet. Ao fim daquele ano, apaixonado pelo estilo de vida americano, Li Cunxin, o estudante da última turma de balé da era Mao, acabou desertando. Trocou a China pelos Estados Unidos  e começou a agraciar os palcos do mundo com a sua arte. 

Li Cunxin e Mary McKendry na produção de 1990 da Bela Adormecida para o Houston Ballet.

Ele conheceu sua esposa, a bailarina australiana Mary McKendry, enquanto dançava em Londres. Eles se mudaram para a Austrália em 1995, onde Li se juntou ao Australian Ballet como dançarino principal. Após a aposentadoria, ele trabalhou no mundo das finanças como corretor de ações, mas o balé estava sempre em seu coração e, em 2012, assumiu a direção artística da Queensland Ballet Academy, cargo que ocupa até hoje.

Cunxin é diretor artístico de Queensland Ballet desde 2012

Eu aprendi muito com esta leitura. Aspectos importantes da cultura chinesa são fortemente enfatizados no livro: os costumes e tradições, o valor e a importância da família, a educação chinesa voltada para os valores e interesses comunistas, a divinização de Mao Tse Tung e o choque cultural entre comunismo e capitalismo. Tudo isso contado de uma maneira fácil de entender e ao mesmo tempo muito comovente. Definitivamente "Adeus, China" é a mais tocante história de vida que já li. Leitura inesquecível e mais do que recomendada.

Título nacional: Adeus, China
Título original: Mao’s Last Dancer
Autor: Li Cunxin
Nº de Páginas: 400
Ano de lançamento no Brasil: 2007
Editora: Fundamento
Gênero: Autobiografia


O livro virou filme:




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