[Resenha]: "O Colecionador", de John Fowles





Em "O Colecionador", de John Fowles, conhecemos Frederick Clegg, um funcionário público londrino, solitário, que passa seu tempo livre caçando borboletas e vendo-as morrer antes de prendê-las em um quadro de vidro. Um dia, da janela do escritório, ele avista Miranda Gray, uma linda e popular estudante de artes, e se apaixona por ela. Clegg se torna obcecado pela estudante, e um inesperado prêmio de loteria o estimula a preparar e executar o seu sequestro. Sua esperança é que Miranda o conheça e depois se apaixone por ele.

A primeira parte do livro é narrada por Clegg, que acredita que é o anfitrião de Miranda e não o seu raptor. Ele descreve o cativeiro como um local agradável, repleto de objetos do gosto da Miranda: vestidos, perfumes, livros de arte. E, ao se colocar como um homem apaixonado, respeitador e cuidadoso, consegue ganhar a simpatia do leitor.

A segunda parte da história é contada por Miranda na forma de um diário. E a mudança de perspectiva, dá uma espécie de choque na gente. A narrativa de Miranda mostra a realidade da situação e ela é horrível. A moça está presa em um porão claustrofóbico, à mercê de um homem mentalmente doente, e seu espírito livre só pensa em sobreviver ao inferno e escapar dali. 

Clegg é aterrorizante porque parece alheio à sua própria perversão e ao dano que inflige à Miranda. E Fowles é um gênio, pois consegue tornar os leitores, ao menos por um tempo, cúmplices da psicopatia do Colecionador. Eu mesma cheguei a sentir pena de Clegg. Achei, inclusive, que o que ele estava fazendo não era tão errado assim, porque ele sentia amor por Miranda e queria o melhor para ela. Sem sombra de dúvida, John Fowles brinca com a mente do leitor, o que torna esta obra instigante e inesquecível.

Título nacional: O Colecionador
Título original:  The Collector
Autor: John Fowles
Tradução: Fernando de Castro Ferro
Nº de Páginas: 234
Ano de lançamento no Brasil: 1980
Editora: Abril Cultural
Gênero: Suspense psicológico


Em 1965, dois anos depois do lançamento do livro, "The Collector" chegava às telas, trazendo William Wyler na direção e Terence Stamp e Samantha Eggar como os personagens principais.



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