[Resenha]: "Nossos Dias Infinitos", de Claire Fuller





A história é contada por Peggy, uma garota de 17 anos, que aos 8 viveu uma traumática experiência: foi sequestrada pelo próprio pai. Ele a retirou da casa onde moravam em Londres, prometendo-lhe uma viagem de férias, e a levou para morar em uma velha cabana no meio de uma floresta. Ali, incomunicáveis, eles viveram por nove anos. 

Antes do sequestro, temos um vislumbre da família de Peggy. Ela é filha única. A relação entre seus pais é tensa, mas não sabemos o motivo. A mãe é uma pianista famosa e na ocasião do sequestro está em turnê. O pai é um homem amoroso, mas estranho, pois acredita na destruição iminente do Planeta. Inclusive, na floresta, ele convence a filha de que eles são os únicos seres humanos remanescentes na Terra.

Com 8 anos, Peggy acha a nova vida uma aventura, mas com o passar do tempo a sobrevivência na floresta torna-se cada vez mais difícil, principalmente no inverno, quando eles são obrigados a lutar contra a natureza para se manterem vivos. Enquanto cresce, a garota vê o pai cada vez mais instável mentalmente. A escrita de Claire Fuller é bem sutil, mas cheia de insinuações, o que nos leva a intuir que a vida de Peggy é um inferno. O pai e a floresta são presenças únicas e ameaçadoras. E é da sua angústia, dores e medos que nasce a luz que iluminará o seu caminho de volta para casa. 

"Nossos Dias Infinitos" é um passeio desconcertante pela mente humana e seus artifícios em prol da sobrevivência. O final é impactante. Gostei muito da leitura e recomendo. 


Título nacional: Nossos Dias Infinitos
Título original: Our Endless Numbered Days
Autora: Claire Fuller
Tradução: Carolina Selvatici
Nº de Páginas: 334
Ano de lançamento no Brasil: 2016
Editora: Morro Branco
Gênero: thriller psicológico

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