[Resenha]: "Mulheres Sem Nome", de Martha Hall Relly





“Mulheres Sem Nome” segue a vida de três mulheres de nacionalidades diferentes, entre 1939 e 1959, ou seja, durante a Segunda Guerra Mundial e a fase inicial da Guerra Fria. São elas: a socialite e ex-atriz da Broadway, Caroline Ferriday, que fazia trabalho voluntário no consulado francês, em Nova York, atendendo às necessidades dos cidadãos franceses que chegavam aos Estados Unidos fugindo da guerra, ao mesmo tempo que enviava para a França donativos para os órfãos. A adolescente polonesa Kasia Kuzmerick que, por servir à Resistência, foi presa e enviada para o campo de concentração Ravensbrück, na Alemanha, onde ocorriam experiências médicas desumanas. A jovem médica alemã Herta Oberheuser, uma das únicas médicas de Hitler, que aceitou com orgulho patriótico a função de cirurgiã em Ravensbrück, onde participou ativamente dos cruéis experimentos médicos nazistas. 

O livro traz uma trama fictícia baseada em pessoas e eventos reais. Uma história escrita de forma clara e corajosa, muito difícil de ler às vezes, com capítulos alternados mostrando o ponto de vista de cada uma das três protagonistas: a americana humanitária, a prisioneira política polonesa e a ambiciosa médica alemã, orgulhosa do seu sangue puro. Essas mulheres além de terem sido afetadas pelo conflito mundial, acabaram se envolvendo por causa dele.

Embasado em ampla pesquisa, este livro maravilhoso trouxe à luz uma parte da história da Segunda Guerra Mundial que é pouco conhecida, a história das mulheres polonesas que sobreviveram depois de terem sido selecionadas como cobaias de experimentos médicos insanos, no campo de concentração de Ravensbrück. Ao fim da guerra elas retornaram à Polônia, mas devido às imposições da Guerra Fria, não tiveram os cuidados médicos adequados às suas feridas físicas e emocionais. A ativista americana e altruísta Caroline Ferriday, ajudou a trazer dezenas dessas mulheres para os EUA onde receberam tratamento médico  especializado. 

Caroline Ferriday era considerada uma madrinha
para as sobreviventes de Ravensbrück. 

Abaixo, as sobreviventes em Varsóvia, Polônia (1958) antes de sua viagem aos Estados Unidos. Elas eram conhecidas como “coelhas” por dois motivos: porque saltitavam num pé só pelo campo depois de terem sido operadas e porque eram os animais de laboratório dos nazistas.



Por trazer uma história ao mesmo tempo de medo, dor, solidariedade e incrível resiliência, “Mulheres Sem Nome”, é altamente recomendado, principalmente  para os fãs de ficção histórica.


Título nacional: Mulheres Sem Nome
Título original: Lilac Girls
Autora: Martha Hall Relly
Tradução: Ana Rodrigues, Cássia Zanon, Mª Carmelita Dias
Nº de Páginas: 516
Formato: eBook Kindle
Ano de lançamento no Brasil: 2017
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção histórica

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