[Resenha]: Vulgo Grace, de Margaret Atwood



Título nacional: Vulgo Grace

Título original: Alias Grace

Autora: Margaret Atwood

Tradução: Geni Hirata

Nº de Páginas: 504

Formato: eBook Kindle

Ano de lançamento no Brasil: 2017

Editora: Rocco

Gênero: Ficção histórica




"Vulgo Grace" é uma ficção histórica baseada no caso real de um crime que aconteceu no Canadá, em 1843, no qual a criada Grace Marks, imigrante irlandesa de 16 anos, foi acusada de ser cúmplice de James McDermott, no assassinato do patrão e da governanta da casa em que os dois trabalhavam. Depois do crime eles roubaram os pertences mais valiosos dos mortos e fugiram para Nova York. Foram encontrados pela polícia e levados de volta para Toronto. Grace alegava não se lembrar de cometer o crime e McDermott afirmava que ela não só arquitetou o plano, como o convenceu a cometer os assassinatos.  Os dois foram condenados à morte pelo assassinato do patrão. O julgamento pela morte da governanta não foi considerado necessário para condená-los. James McDermott foi enforcado. A sentença de Grace, porém, foi trocada para prisão perpétua, pois o júri entendeu que por ser mulher, muito jovem e sem discernimento, ela teria sido coagida e manipulada por McDermott.

O livro começa em 1859, quando McDermott já havia sido enforcado há muito tempo e Grace está encarcerada há mais de uma década, tendo passado inclusive por um manicômio. Por ter bom comportamento ela trabalha durante o dia na casa do governador de Toronto, costurando e ajudando em serviços leves. Um comitê, formado por pessoas influentes da sociedade local, acredita na inocência de Grace e deseja que ela consiga ser perdoada pela justiça. Para tanto, o comitê convida o jovem médico americano Simon Jordan, estudioso de doenças mentais, para tentar recuperar a memória dela sobre os assassinatos.

Simon Jordan inicia uma série de entrevistas com Grace no intuito de descobrir se ela tem mesmo problemas de memória ou se está mentindo. Nesses encontros, Grace revela sua história e seu relato sobre os assassinatos. Tudo o que ficamos sabendo sobre Grace vem do que ela escolhe dizer ao Dr. Jordan. Fica claro que ela decide quais palavras usar ao falar com o médico sobre sua vida. Em alguns momentos ela parece a vítima inocente que afirma ser, mas em outros o que predomina é o seu lado manipulador e dissimulado. O caráter completamente ambíguo de Grace nos faz ficar na dúvida entre acreditar, ou não, no que ela diz. E o médico também vai ser afetado. Aos poucos, ele vai se perdendo em emoções e seu estado mental torna-se cada vez mais confuso, interferindo em sua avaliação e inviabilizando a conclusão de um diagnóstico.

Mesmo assim, Grace Marks foi perdoada em 1872, depois de cumprir 28 anos de prisão. Os registros legais mostram que ela foi para Nova York. Diferentemente do final que Margaret Atwood reservou para ela, na realidade, depois de ir para os Estados Unidos, nada mais se sabe sobre sua vida. Se Grace realmente participou dos assassinatos nunca ficou claro, nem se ela era inocente ou se só estava fingindo ser. A verdadeira personalidade de Grace Marks permanece um mistério.

Apesar de ser uma obra de ficção, o livro é baseado na realidade. Os relatos da opinião pública sobre Grace e os documentos e registros encontrados por Margaret Atwood foram inseridos no livro, engrandecendo e tornando a obra ainda mais fascinante.

Uma série baseada no romance está atualmente sendo transmitida pela Netflix.



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