[Resenha]: "Aos Perdidos, Com Amor", de Brigid Kemmerer



Título nacional: Aos Perdidos, Com Amor

Título original:  Letters To The Lost

Autora: Brigid Kemmerer

Tradução: Fabrício Waltrick

Nº de Páginas: 383

Formato: eBook Kindle

Ano de lançamento no Brasil: 2017

Editora: Plataforma 21

Gênero: Romance norte-americano



Juliet Young tem 17 anos e está de luto por sua mãe, que faleceu devido a um acidente de carro. Como a mãe era fotojornalista em zonas de guerra e, frequentemente, estava no exterior, as duas costumavam se corresponder por cartas. Na intenção de manter o vínculo e lidar com a perda, Juliet continua a escrever para mãe e deixa as cartas sobre a sua sepultura.

Declan Murphy também tem 17 anos e também perdeu alguém muito querido. Ele tem má reputação por ter se envolvido em um acidente ao dirigir embriagado. Por causa disso, ele cumpre pena prestando serviço comunitário no cemitério local. E foi limpando um dos túmulos antes de aparar a grama, que Declan encontrou a carta deixada por Juliet. Ele leu, reconheceu a dor presente nela, ficou tocado e respondeu. 

A partir daí os dois começam a conversar, a princípio usando papel e caneta e, depois, on-line sempre usando pseudônimos. O anonimato os protege de julgamentos, rótulos ou preconceitos. Facilita que eles troquem confidências, encontrem consolo um no outro e formem uma forte conexão emocional. Em um momento tão conturbado de suas vidas, eles se conectam, compartilham suas dúvidas, tentam racionalizar e encontrar maneiras de superar a dor e a culpa que os sufocam.

O inusitado dessa história é que os companheiros anônimos que entre uma correspondência e outra trocam segredos íntimos e se entendem perfeitamente, se conhecem na vida real, mas não sabem disso. Eles frequentam a mesma escola, porém não desfrutam de uma convivência amistosa. Na verdade, Declan é o excluído do último ano do Ensino Médio. Ele tem uma ficha criminal, possui uma aparência truculenta, um olhar sombrio e a maioria das pessoas tem medo dele, inclusive Juliet. Declan é julgado por sua aparência e por seu jeito estourado, explosivo e sarcástico. Ele é rotulado de bad boy e muitos apostam num futuro de delinquência para ele. Ninguém se importa em saber quais os problemas que o levam a ter atitudes consideradas "estranhas" aos olhos dos outros. Apenas Rev, seu melhor amigo, sabe que enterrado lá no fundo há um garoto atencioso, protetor e leal. 

Eu acho que a grande sacada do livro é mostrar como as aparências podem levar a julgamentos injustos. Mostra como o preconceito separa as pessoas, espalha o medo e inviabiliza relações. Enquanto está anônimo Declan é a pessoa com quem Juliet mais anseia conversar, mas “ao vivo”, ela não confia nele. Na convivência de forma anônima, sem a influência de julgamentos pré-concebidos, os dois usam de empatia, respeitam suas histórias de vida e aprendem a ver além da superfície. Isso contribui para o amadurecimento e os prepara para seguir em frente, sair do universo particular das confidências para o mundo real.

Antes de concluir, preciso destacar que a habilidade de Brigid Kemmerer de desenvolver personagens secundários verdadeiramente importantes para o enredo, é surpreendente. Esta história maravilhosa me encantou da primeira até a última página. Amei!


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