[Resenha] "O Conto da Aia", de Margaret Atwood

Título nacional: O Conto da Aia

Título original: The Handmaid’s Tale

Autora: Margaret Atwood

Tradução: Ana Deiró

Nº de Páginas: 334

Formato: eBook Kindle

Ano de lançamento no Brasil: 2017

Editora: Rocco Digital

Gênero: Romance canadense


Ambientada em um futuro próximo, a distopia “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood,  mostra que houve um golpe de Estado nos Estados Unidos, depois que a poluição e as doenças sexualmente transmissíveis dizimaram a fertilidade feminina e reduziram drasticamente a taxa de natalidade. Tal situação, criou um sentimento de desespero que fomentou o fervor religioso da população e acabou derrubando o governo democrático norte-americano. Em seu lugar foi instituída a República de Gileade: uma ditadura teocrática cristã, governada por homens denominados comandantes.

Nesta nova ordem, os direitos femininos foram revogados e as mulheres foram divididas em castas. No topo ficavam as esposas (mulheres da elite, geralmente estéreis, casadas com os comandantes). Havia também as marthas (empregadas domésticas das esposas), as tias (opressoras cruéis que faziam verdadeira lavagem cerebral nas aias para que elas aceitassem a submissão em nome da salvação da humanidade), e as aias (mulheres férteis, impedidas de ter um nome, estudar e socializar entre si, cujo único propósito era gerar filhos para as esposas inférteis dos comandantes).

Offred é a protagonista e a narradora da história. Ela pertence a primeira geração de aias, o que quer dizer que ela conheceu o mundo antes de Gileade. Um mundo onde ela era uma pessoa comum, que trabalhava, tinha marido, uma filha pequena e, de repente, perdeu tudo. Agora, ela é identificada como propriedade do comandante Fred. Ela é Offred ("of Fred" literalmente significa "de Fred"). O nome é um empréstimo por dois anos, tempo que ela tem para engravidar do comandante e dar a ele o filho que a esposa não tem condição de gerar.

Para atingir tal objetivo, a aia é violentada no período fértil. Os estupros são conduzidos como se fossem cerimônias religiosas. A religião, aliás, é usada para justificar todo tipo de barbaridade. Se a aia engravidar, o bebê fica com a esposa e ela é enviada para a casa de um novo comandante. Mas, se não engravidar, é trocada por outra “de Fred”, e é enviada para um lugar chamado Colônia, onde, processando resíduos tóxicos, está condenada a ter uma morte lenta e dolorosa. Fim triste também tinham os médicos que praticavam aborto antes do golpe de Estado; as minorias, incluindo aí os gays; e, claro, os rebeldes, inimigos do sistema. Todos estes eram enforcados e expostos para servirem de exemplo.

Apesar de ter sido lançado em 1985, o livro é assustadoramente atual, pois aborda temas relevantes, como a opressão feminina e o fundamentalismo religioso na política. Em uma entrevista, a autora Margaret Atwood disse que não colocou no livro nada que as pessoas já não tivessem feito em algum momento, em algum lugar do mundo.  O que é a mais pura e estarrecedora verdade!

Com um final instigante, “O Conto da Aia” é um livro perturbador, melancólico e absolutamente persuasivo. Gostei muito!

Minha avaliação



Após adaptações para cinema e ópera, “O Conto da Aia” chegou à TV no ano passado. A série, do serviço de streaming Hulu, foi a grande vencedora do Emmy, faturando cinco prêmios, incluindo melhor roteiro, melhor série dramática e melhor atriz (Elizabeth Moss).


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