[Resenha] "Confissões do Crematório", de Caitlin Doughty



Título nacional: Confissões do Crematório

Título original: Smoke Get In Your Eyes

Autora: Caitlin Doughty

Tradutora: Regiane Winarski

Nº de Páginas: 256

Ano de lançamento no Brasil: 2016

Editora: Darkside

Gênero: Memórias





Em “Confissões do Crematório”, Caitlin Doughty junta a experiência adquirida como agente funerária e uma vasta pesquisa histórica, para mostrar como nossa sociedade se distanciou do processo natural de morrer. Apenas um século atrás, cuidávamos de nossos mortos. Era comum que as pessoas morressem em casa e que suas famílias lavassem e envolvessem os corpos, mantivessem a vigília e, depois, os enterrassem. Mas, com o advento da indústria funerária, a sociedade adotou a cultura da negação da morte. Nos acostumamos aos artifícios criados para disfarçar ou esconder os cadáveres. Na verdade, olhar diretamente nos olhos da mortalidade não é fácil e, por isso, procuramos nos esquivar cada vez mais do luto, achando que se não pensamos nele, mais longe de nós ele ficará. Tudo ilusão, porque não somos imortais… e sabemos disso.

Caitlin Doughty acha que devemos nos reconciliar com a mortalidade, pois quanto mais perto chegamos de entendê-la, mais perto chegamos de entender a nós mesmos. Ela fala sobre a importância das pessoas se prepararem para o fim sem medo. Precisamos encarar o fato de que a morte é inevitável e, diante disso, nunca é cedo para começar a pensar sobre a nossa partida deste mundo e a partida daqueles que  amamos. Isso não é mórbido! Se planejarmos o que queremos que aconteça com nosso corpo após o óbito, enfrentaremos o inevitável mais calmamente. Conhecer os desejos do falecido, pode livrar os familiares de um pesado fardo emocional e, muitas vezes, econômico. Ela defende também, a ideia de educar as pessoas sobre o que é a indústria da morte, abordando temas como sepultamentos naturais, processos de cremação, procedimentos de embalsamamento, e até criticando algumas das ações que são usadas.

O assunto parece macabro, mas Doughty traz um toque de leveza ao texto e com humor e honestidade, revela exatamente o que está errado sobre nossa atitude em relação a morte e fornece soluções. Independentemente de concordar ou não com a posição dela, gostei das suas reflexões filosóficas, e da ampla pesquisa apresentada sobre a morte e o funeral em diferentes povos e culturas. O livro é muito instigante e informativo. Gostei e recomendo a leitura.

Caitlin Doughty tem um canal no youtube chamado Ask a Mortician, que como sugere o nome, fala sobre como é ser uma agente funerária. Além disso, ela também é fundadora de um movimento chamado The Order of the Good Death, que pretende mostrar que a morte é algo natural,  a única certeza da vida, e que não deve ser temida. Vale a pena conferir.


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