Eu li: "Eu sou Malala"


Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, 'Eu sou Malala' conta a história da menina que se recusou a permanecer em silêncio e lutou por seu direito à educação, depois que o Talibã (grupo fundamentalista islâmico) invadiu a região em que ela vivia, o vale de Swat, no Paquistão. 

O livro descreve a infância da menina, os primeiros anos de sua vida escolar e a brutal dominação do Talibã, em meados dos anos 2000. Aplicação de chibatadas públicas, decapitações, queima de bibliotecas e a proibição de tv, dança e música, passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. Quando chegou a ordem para fechar as escolas para meninas, Malala  e seu pai, que era diretor de uma escola particular, se mostraram totalmente contrários a medida. Além de continuar frequentando a escola, Malala passou a escrever anonimamente para a emissora inglesa BBC, sobre as condições de vida no Swat. Ou seja, se colocou, definitivamente,  na mira dos terroristas talibãs. 

Por insistir no direito das mulheres à educação, em outubro de 2012, um homem entrou no ônibus escolar onde ela viajava, perguntou "Quem é Malala?" e disparou contra a cabeça da adolescente.  O Talibã  assumiu a autoria do atentado.

Malala com a família, no hospital
Sua situação parecia grave e poucos acreditavam que ela sobreviveria. Após uma operação de emergência, ela foi transportada de avião para a Inglaterra onde, durante os meses seguintes, lutou para sobreviver ao atentado. Ela vive no país até hoje, juntamente com a família.

Ao ler a história de Malala, a garota que desde os 11 anos está comprometida na luta pelo direito da educação das meninas, a gente se depara com uma realidade muito diferente da nossa. Veja o que Malala escreveu: "Em todo o mundo, as meninas vão à escola sem problemas. Mas aqui nós temos muito medo. Medo do talibã. Eles podem nos matar. Jogar ácido nos nossos rostos. Podem fazer qualquer coisa com a gente".

Vivemos no Ocidente e estamos acostumados a liberdade, e por isso temos dificuldade em entender os costumes, a religião e o sistema político da terra natal de Malala Yousafzai. Enquanto por aqui o livro biográfico foi muito bem recebido por ser uma verdadeira aula de história e de cidadania. Lá, nas escolas do Paquistão, o livro foi proibido por trazer um conteúdo contrário aos valores islâmicos.

No dia de seu aniversário, em 16 de julho de 2013, Malala falou à Assembleia Jovem da ONU em Nova York, onde foi aplaudida de pé. E por seu engajamento incansável, tem sido celebrada no Ocidente e laureada com numerosos prêmios, entre os quais o Sakharov e o Prêmio Internacional da Paz da Infância. Além disso, foi nomeada Embaixadora da Consciência, pela ONG Anistia Internacional; e foi cotada para o Prêmio Nobel da Paz. 

Logo após o anúncio do Prêmio Sakharov, o Talibã paquistanês afirmou que Malala não fez “nada” para merecer a honraria e se comprometeu a tentar matá-la novamente.

Livro: Eu sou Malala: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã 
Autor: Malala Yousafzai e Christina Lamb
Tradução: Caroline Chang, Denise Bottmann, George Schlesinger, Luciano Vieira Machado
Páginas: 342 
Editora: Companhia das Letras 
Categoria: Literatura Estrangeira / Biografia 
Preço: R$ 27,60 (Livraria Saraiva, em 29/11/2013)

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