Eu li: "Doce Perdão"



“Uma pedra significa o peso da raiva.
A outra pedra simboliza o peso da culpa.
Ambos podem ser eliminados,
se você escolher se livrar desta carga.”
(Trecho do livro)


Criadas por Fiona Knowles, uma advogada em busca da paz interior, as Pedras do Perdão viraram uma mania e se espalharam pelo país. A premissa é que a pessoa envie duas pedras para alguém que tenha magoado no passado. Assim, a pessoa reconhece a dor que causou e pede desculpa. Se o destinatário aceitar o pedido de perdão, envia uma pedra de volta para o remetente e, em seguida, remete a outra pedra para alguém que tenha ferido também. Ou seja, os destinatários deveriam perdoar e pedir perdão, criando, assim,  um círculo cada vez maior de indulgência.

Hanna Farr, uma prestigiada apresentadora de TV, foi uma das pessoas que recebeu a carta com as pedras, e da própria Fiona, que a intimidou e infernizou na época do ensino fundamental. Por dois anos, tentando evitar o passado, Hanna ignorou a carta, escondendo-a numa gaveta. Só a desengavetou porque resolveu falar sobre as Pedras do Perdão em seu programa, numa tentativa de aumentar a audiência do mesmo.

Com as pedras em mãos, Hanna se viu impelida a fazer um balanço do passado. E é nessa reavaliação que ela reconhece que um ato infligido a ela e que provocou uma drástica alteração na dinâmica familiar, pode não ter acontecido realmente, pode ter sido fruto da sua imaginação. Afinal, ela era uma criança na época! Mas o fato é que aquele acontecimento abalou a família e, por isso, a gente fica na expectativa que algum personagem ajude a esclarecer a situação, mas isso não acontece, pois quem pode ajudar acaba confundindo tudo ainda mais.  

Na verdade, a autora criou uma ambiguidade que não me agradou. E também não aceitei a ideia proposta no livro: “aprenda a viver com a ambiguidade. A certeza é o consolo dos tolos”. Ao meu ver, a violência que a mocinha alegou ter sofrido é grave e merecia um tratamento mais transparente e efetivo, e não simplesmente um “perdoar e seguir em frente”. E se, por outro lado, nada daquilo aconteceu, uma grande injustiça foi cometida e um simples “perdoar e seguir em frente”, é igualmente difícil de engolir. 

Bem, mas ainda assim, "Doce Perdão" não é um livro ruim. É uma leitura que vale a pena pelas emoções que desperta ao expor questões importantes, como: traição, bullying e alienação parental. Além disso, ao final do livro me peguei pensando para quem enviaria as Pedras do Perdão, e nada melhor que um livro que nos faz pensar, não é mesmo?


Título nacional: Doce Perdão
Título original: Sweet Forgiveness
Autora: Lori Nelson Spielman
Tradutora:   Cecília Camargo Bartalotti
Nº de Páginas: 358
Formato: eBook Kindle
Ano de lançamento no Brasil: 2015  
Editora: Verus
Gênero: Romance americano

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