[Resenha] "Pequenas Grandes Mentiras", de Liane Moriarty


Os personagens de “Pequenas Grandes Mentiras”, de Liane Moriarty, são reais como nós: amam, odeiam, riem, choram, perdoam, estendem as mãos, viram as costas, mentem, espalham fofocas, guardam segredos. Esse é um dos motivos para eu ter gostado tanto do livro. Além, claro, do suspense! A gente sabe desde o início que alguém morreu, mas não temos ideia de quem morreu, nem de quem matou e muito menos do motivo.

A história se passa numa pequena cidade praiana da Austrália e gira em torno de três mães - Madeline, Celeste e Jane - cujos  filhos estão entrando para o jardim de infância da Escola Pública de Pirriwee. Madeline é forte, leal e passional. Casada pela segunda vez, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da sua caçula, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o rico e deslumbrante marido têm tudo para reinar entre os demais pais. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade, que se dedica de corpo e alma a Ziggy, seu filho de cinco anos, que nasceu da transa de uma única noite com um homem que marcou negativamente sua autoestima e a sua vida. Quando o menino é acusado de bullying na escola, Jane passa a se preocupar com o fato de ele ter herdado algo horrível, tipo uma mancha genética, do pai.

Depois que uma coleguinha da turma do Jardim acusa Ziggy de bullying, o drama começa. As mães protetoras entram em alerta, forjam alianças visando seus próprios interesses. Algumas pedem a saída da criança da escola. Não pesquisam a situação a fundo, mesmo o menino se dizendo inocente. Só ouvem o que querem ouvir. Fabricam inverdades. Agem sem pensar. Linhas de batalha são desenhadas e os lados são escolhidos entre os que defendem o menino e sua mãe, e os que querem que eles voltem de onde vieram. Madeline e Celeste decidem fazer de Jane sua protegida.

Conforme a história avança rumo ao evento onde ocorrerá a morte de um dos moradores da unida comunidade, a verdadeira natureza humana vai se desenhando e veremos que todos têm segredos e para escondê-los, contam mentiras aos outros e a si mesmos. À medida que o que há de mais escondido vai sendo revelado, a nossa percepção sobre os personagens vai mudando e o estado de ansiedade aumenta. Afinal, quem morreu? Será que foi a intensa Madeline, incansável na luta para se conectar com a filha adolescente fruto de seu primeiro casamento? Ou a bela Celeste, cuja vida perfeita esconde um segredo feio? Ou será que foi a delicada Jane, a mãe solteira que tenta encontrar uma vida que dê certo e  descobre que também naquela comunidade o bullying não acontece somente entre as crianças? Ou será, quem sabe, outra pessoa? Afinal, quem?

Em “Pequenas Grandes Mentiras”, Liane Moriarty aborda muitas questões importantes: lealdade entre amigos, dinâmica escolar, violência doméstica, preconceito, bullying…  além de nos presentear com uma história inteligente e bem realista. Recomendo muito!

Título: Pequenas Grandes Mentiras
Título original: Big Little Lies
Autor: Liane Moriarty
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Páginas: 438
Formato: eBook Kindle
Ano de lançamento no Brasil: 2015
Editora: Intrínseca
Categoria: Ficção Australiana / Romance

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