[Resenha] "Enclausurado", de Ian McEwan



"Enclausurado", de Ian McEwan, apresenta um crime passional baseado em "Hamlet" de Shakespeare, narrado por um feto.

É de dentro da barriga da mãe que a voz que narra "Enclausurado", conta como sua progenitora em conluio com o amante, que é tio da criança, planeja o assassinato do seu pai, um poeta decadente, herdeiro de um imóvel valioso.

O feto contador da história é precoce além da conta e isso me incomodou a ponto de pensar em abandonar o livro. Dá para acreditar que o narrador nada convencional tece considerações refinadas sobre vinhos e sobre as guerras do Oriente Médio? Um feto com uma mente excepcionalmente sofisticada! Incrível ou ridículo?

O feto justifica tanta sabedoria dizendo que é um ouvinte atento dos podcasts educacionais de sua mãe. Ah... tá!

Por curiosidade dei continuidade a leitura, afinal queria saber se o casal conseguiria matar mesmo o poeta. Além disso, o feto, apesar do meu baixo grau de credibilidade, acabou me cativando. Passei a sentir por ele um apego solidário. O coitado teme que a mãe seja presa e, então, ele nasça em uma prisão. "Eu me considero um inocente", ele diz, "mas parece que sou parte de um complô." Tadinho!

Estranho é a melhor palavra para definir "Enclausurado". Com certeza não foi o melhor livro de Ian McEwan que eu li, mas, definitivamente, foi o mais intrigante.

Livro: Enclausurado
Título original: Nutshell
Autor: Ian McEwan
Tradução: Jorio Dauster
Páginas: 199
Ano de lançamento no Brasil: 2016
Editora: Companhia das Letras
Categoria:  Literatura Estrangeira / Romance 

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